2010-01-06

Yeda, ACM, e o terreno da ex-Febem

ACM, quando Prefeito biônico de Salvador, entregou à especulação imobiliária 25 milhões de metros quadrados de terras, ou seja, quase 10% da superfície de Salvador, através da Lei da Reforma Urbana, promulgada às vésperas do natal de 1968. Com isso, o ACM liquidou os estoques de terras públicas da capital baiana, inviabilizando qualquer possibilidade de a cidade criar planos de habitação. As terras foram vendidas ao preço de CR$ 2,35 o metro quadrado. Terras preciosas situadas no núcleo de expansão da cidade, entre a BR 324 e a orla, sobretudo aquelas que se encontravam onde viria a ser a Avenida Paralela e que se mantinham imunes aos especuladores, por força das clausulas de aforamento, foram para eles transferidas da noite para o dia.

A governadora Yeda Crusius sempre ficará atrás de Antônio Carlos Magalhães, pois ACM ao menos era um político capaz e articulado, ainda que usasse sua capacidade e sua articulação para seus fins enviesados. Mas o caso do terrenão da Fase (foto acima) nas vizinhanças da Av. Padre Cacique que será vendido para alguma construtora de imóveis é aceêmico ao menos no quesito da transferência de terras públicas preciosas para privados. Talvez seja aceêmico também no quesito cruzeiros/m². 

A que vem esse negócio nessa hora? É desconsiderar o interesse público vender um patrimônio desses às pressas, sem maiores esclarecimentos ou debates transparentes, profundos e multilaterais. 

O governo do estado diz, pelo secretário Fernando Schiller, em entrevista realizada segunda-feira, que (1) a discussão sobre a descentralização da Fase (ex-Febem) tem ao menos 15 anos, e que é preciso fazer com que os menores fiquem mais próximos das suas famílias, muitas das quais são de cidades do interior do estado. Isso justificaria, segundo o governo Yeda, (2) a permuta do terreno da Fase em Porto Alegre por áreas públicas ou privadas em cidades do interior.

Mas não tal há justificação. Se o governo quer terrenos no interior do estado, isso não exige a venda de terreno na capital. São duas coisas muito diferentes, e não há necessidade alguma de vincular a aquisição de terrenos no interior à venda do terreno na capital. 

Ou seja, a justificativa do governo Yeda para vender o terreno da Fase em Porto Alegre não cola. 

Há um terceiro elemento, ainda da entrevista do secretário de Yeda:

Apresentador André Machado: Para entender como funciona, essa área extremamente valorizada da Padre Cacique, especialmente agora com a Copa do Mundo chegando e o Beira Rio vai ser o palco dessa área, uma empresa, possivelmente uma construtora, tem interesse ali e ao pegar aquela área, ela vai construir unidades da Fase em outros municípios. É isso? 
Secretário de Justiça e Desenvolvimento Social do Estado, Fernando Schiller: Exatamente. É uma permuta por licitação. Teremos um comitê de acompanhamento externo amplo, mas essencialmente há uma concorrência direta e o vencedor terá a obrigação de construir no padrão determinado pelo Estado, com controle bastante forte, essas unidades adaptadas dentro do padrão. O projeto arquitetônico é feito pelos técnicos da própria Fase, a empresa que ganhar a licitação faz a construção e evidentemente a melhor proposta a partir da construção das unidades e dos valores que forem oferecidos será a vencedora. Um ponto central do projeto é que todo o recurso obtido ou toda permuta direta será utilizada apenas na construção das unidades descentralizas. Ou seja, é uma forma que o Estado encontrou de preservar o seu patrimônio. Hoje é um patrimônio que não serve para sua finalidade, nós teremos um outro patrimônio público, ele será todo público, tombado para o Estado, mas adequado à finalidade que é a recuperação socioeducativa dos adolescentes infratores.

Ou seja, (3) uma construtora leva um terreno valorizado na capital, em troca constrói unidades da Fase no interior. Aqui o risco de se criar uma aceêmica mãe de todas as bandalheiras é enorme. Talvez estejamos para ver, no RS de hoje, aquilo que os soteropolitanos viram no final dos anos 60: terrenos públicos vendidos a 2 cruzeiros o metro quadrado. 

É verdade que as crianças e adolescentes recolhidos nas unidades da Fase precisam ficar próximos das suas famílias, e é nobre que se busque meios de aproximá-las. Mas é torpe vender patrimônio público como se fosse realização de uma causa nobre. E realizar o negócio em tais bases, envolvendo uma construtora que colocará as mãos em uma área nobre, é menos do que torpe. É aceêmico. 

Sobre o projeto de venda do terreno nobre nas vizinhanças da Av. Padre Cacique em troca da construção de unidades da Fase no interior, o secretário de Yeda diz:

Sem tirar recursos do orçamento, será uma pequena revolução no sistema da Justiça Juvenil.

Esse simplesmente não é o ponto. Não vamos nem discutir o exagero retórico da "pequena revolução", o que me parece abuso verbal sobre um público que está sendo abusado de diversas formas. Vamos focar no "sem tirar recursos do orçamento". Ora, o ponto que preocupa não é esse, mas sim o neoaceemismo. 

O aceemismo estilo vésperas do natal de 1968 faz duas coisas erradas. Primeiro, vende um bem público que faz falta no presente, e fará mais falta ainda no futuro. Segundo, o vende por meros 2 cruzeiros/m². O que mais preocupa é o primeiro erro, pois o futuro tem o hábito de virar presente. Aliás, é por isso que escolhemos governantes, os quais devem ser guardiões do futuro. 

Há um quarto ponto a ser considerado. O secretário de Yeda diz, no trecho da entrevista reproduzido acima, que (4) o patrimônio público é preservado com essa proposta. Seu raciocínio parece ser o seguinte: (4.1) a Fase manterá sua capacidade de atendimento, (4.2) estará mais próxima da população atingida, e (4.3) a aproximação se fará com dinheiro privado. 

Temos que admitir que, se um serviço se torna mais acessível, o serviço foi melhorado. Isso nos leva a desejar a construção de unidades da Fase no interior do estado, pelos motivos indicados pelo secretário: os pais de muitos menores são do interior. 

Mas serviço público é uma coisa, patrimônio público é outra. Ninguém discute a necessidade urgente de melhorar os serviços públicos. Aliás, é o que mais exigimos do governo Yeda. Considerando tudo, seria ótimo se Yeda pelo menos não tivesse piorado os serviços públicos, fechando dezenas de escolas no RS, por exemplo. Que se melhore os serviços é dever e promessa de políticos, mas que se confunda serviço com patrimônio ou é erro puro e simples, ou é má-fé. Não há nenhuma relação entre o serviço prestado pela Fase, o qual deve melhorar, e a necessidade de vender o terreno da Fase. Imaginação contrária é confusão, ou engodo. 

Claro, poderíamos perguntar: mas, de onde virá o dinheiro para construir as novas unidades da Fase? A resposta é simples: do mesmo lugar de onde Yeda tirou R$150.000.000,00 para dar à fábrica de cigarros Souza Cruz, em troca da geração de 250 empregos. Sobre este negócio, o economista Roberto Iglesias disse:

É vergonhoso dar R$ 150 milhões para um empreendimento que gera 250 empregos. Qualquer que seja o ponto de vista que se olhe, isso não faz sentido.

Eis os custos públicos de cada emprego gerado, segundo o economista Clóvis Panzarini:

Cada emprego custou R$ 600 mil. Com esse dinheiro, você poderia pagar R$ 1.300 por mês para um professor por 35 anos. E ele daria aula, não fabricaria cigarro.

Tânia Cavalcanti, do Instituto Nacional do Câncer, complementa:

 A indústria lucra e deixa o prejuízo do tratamento para a sociedade como um todo. Não tem o menor sentido essa política. O governo gaúcho está na contramão das boas práticas contra o fumo.

O governo Yeda deu 150 milhões de reais em isenções fiscais a uma fábrica de cigarros, a qual gera 250 empregos, os quais saem mais caro para nós do que os empregos de funcionário públicos como professores e policiais. Isso não quer dizer apenas lucrar às custas do público, pois se trata da geração de gastos públicos: cigarros geram doenças, e os governos gastam no tratamento dos males do cigarro uma vez e meia o que arrecadam, isso quando arrecadam, o que não é nosso caso. 

É claro que o dinheiro tem que vir do estado, pois se trata de um serviço estatal. Não se deve iludir o público com o oximoro do serviço público sem custo algum. No caso, estamos tratando do patrimônio público, o qual pode ser construído com dinheiro privado. Isso era comum em Roma, isso acontecia na São Paulo de Chateaubriand e famílias concorrentes. Mas a proposta do governo Yeda não entra nessa categoria, visto que mistura construção de patrimônio com abdicação aceêmica do mesmo. 

Há um quinto elemento na discussão: (5) é o público, e não uma construtora privada, quem deve decidir o que fazer com o terreno da Fase. Digamos que o público escolha que devam ser construídas escolas e hospitais públicos, além de museus, zonas de preservação e moradias populares. A construtora vencedora da licitação construirá tudo isso e se sentirá paga pelos sorrisos? Certamente não. De modo que é bom deixá-la de fora disso. O secretário de Yeda tem razão quando diz que o terreno não serve para abrigar a Fase, mas é o público e não uma construtora quem deve dizer qual sua serventia. 

Em resumo, inaptidão política de Yeda Crusius à parte, teríamos na Porto Alegre das vésperas do natal de 2009 a triste reprise dos eventos aceêmicos das vésperas do natal da Salvador de 1968 --- e também uma evidência de que as maldades natalinas de Yeda vão além da mão nos bolsos de professores e policiais.  

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2009-12-31

Coetzee homenageando Putnam

Um discurso escrito em papel podia parecer uma descrição perfeita de árvores, mas se fosse produzido por macacos batendo ao acaso em teclas de uma máquina de escrever durante milhões de anos, então as palavras não se refeririam a nada.
Hilary Putnam, Razão, verdade e história (Ed. Dom Quixote 1992, esgotado), p. 26

Sono, pensa, que remenda a puída manga do desvelo. Que forma incrível de colocar a coisa! Nem mesmo todos os macacos do mundo batucando em máquinas de escrever a vida inteira produziriam essas palavras arranjadas nessa ordem.
J. M. Coetzee, Elizabeth Costello, p. 34

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2009-12-30

Lei da anistia, tortura e desobediência civil

Está se discutindo a revogação da lei que anistiou os atos de tortura realizados nos calabouços da ditadura militar, e me choquei ao ver que Luis Nassif entra na discussão ao lado dos deformadores de opinião, visto que coloca lado a lado (1) os atos de desobediência civil de Fernando Gabeira e outros e (2) as ilegalidades cometidas nos porões do DOI-CODI.

É fundamental que todos saibam que há toda a diferença do mundo entre (1) se rebelar contra um governo ilegítimo e (2) torturar pessoas. Só posso lamentar que Nassif esteja entre os que desconhecem essa diferença básica. Para mostrá-la vou me apoiar não em Lenin, Trotsky ou Mao, mas sim em John Rawls, filósofo apreciado até mesmo por um conservador como Marco Maciel, senador e antigo vice-presidente da república.

Diz Rawls que temos o direito de desobedecer ante injustiças, preferencialmente ante injustiças que impedem a remoção de outras injustiças, desde que os apelos normais tenham sido feitos, e fracassaram. (Pros que futricam em livros, ver o ¶57 de Uma teoria da justiça.)

Ora, Fernando Gabeira e outros brasileiros se rebelaram contra um grupo armado que usurpou o poder com o auxílio financeiro e estratégico de uma potência estrangeira, os Estados Unidos da América. Por terem tido a coragem de se rebelar contra tal violência às pessoas e instituições, Gabeira e seus companheiros de luta merecem todo o nosso respeito, e as dores sofridas por seus corpos e mentes precisam ser narradas às próximas gerações, para que todos saibam que houve, há e deverá haver brasileiros fieis ao senso de justiça.

Que os meios normais fracassaram é evidente, tendo mesmo os usurpadores feito um ato institucional, o de número 5, o qual abolia os meios normais de apelo por justiça.

Assim, aqueles que se levantaram contra a usurpação agiram bem, pois agiram tal como exige o senso de justiça.

Quanto aos que torturaram, cometeram injustiça dupla. Primeiro, por estarem ao lado de usurpadores. Segundo, por não respeitarem a dignidade humana.

Nada há de semelhante entre os que desobedecem ao poder ilegítimo e os que trucidam esses que combatem a usurpação. A diferença é enorme, pois estamos falando de grupos diametralmente opostos no eixo da justiça. (1) Gabeira e seus companheiros são herois da luta por justiça, e (2) aqueles que os torturaram precisam ser levadas às cortes. Isso precisa estar claro para todos que queiram realizar o trabalho de formar opiniões sobre um tema tão importante.

Nas fotos acima, Antônio Carlos Bicalho Lana, dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), antes e depois da tortura. A partir de imagens de Grupo Tortura Nunca Mais e Maria Frô.

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PS 1 - Já que fui eu quem iniciou o joguinho de recitar nomes de filósofos e textos filosóficos, tenho o ônus de ser minimamente preciso, ainda que esteja escrevendo em um blog bem geral. No ¶55 de Uma teoria da justiça Rawls distingue desobediência civil de ação armada, mas levando em conta que o desobediente civil se apoia no senso de justiça da maioria das pessoas, enquanto o combatente se apoia no seu próprio senso de justiça. No caso guerrilha versus ditadura, quem é quem? Como usar esses termos rawlsianos? Aqui há problemas na aplicação das categorias de Rawls. Primeiro, me parece que os guerrilheiros se apoiam no senso de justiça da maioria, de modo que estão fazendo desobediência civil. Já os militares que usurparam o poder são combatentes, pois se apoiam em uma concepção de justiça distinta daquela da maioria. Por outro lado, é claro que Rawls quer reservar o termo "desobediência civil" para a resistência não violenta. Levando tudo isso em conta, deixo um pouco mais claro duas coisas. Primeiro, que estou usando o termo damaneira geral, a qual inclui resistência pacífica e violenta. Segundo, que Rawls reconhece que a ação armada é legítima em certos casos, os quais ele não discute, mas certamente estão apoiados nos fatores que justificam a desobediência civil, a qual é um ato apoiado no senso geral de justiça que busca evitar novas injustiças de um poder injusto.

PS 2 - A discussão continua nO Descurvo, de Hugo Albuquerque.

5 erótica

http://mariux.tumblr.com/

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2009-12-29

Fusca 67 com motor elétrico

Matthew Redd, do blog Autopia (@wiredautopia) da revista Wired, comprou um fucão 67 azul piscina, com tampa do motor já queimada por um incêndio, e o transformou em um carro elétrico

As pesadas baterias ficaram no lugar do banco traseiro, o motor de quatro cilindros a gasolina foi substituído por um motor elétrico Mars Electric de nove polegadas. 

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As mais esquisitas paranoias da direita dos EUA em 2009

Esta eu trago para vocês direto do Huffington Post. A direita estadunidense se puxou em 2009 para produzir ideias (?) paranoicas e teorias da conspiração:

- Os terroristas atacarão os EUA com pulsos eletromagnéticos!

Melhor voltar para a Idade da Pedra, por razões de segurança.

- Estão tirando a frase "In God we trust" [Em Deus confiamos] do centro das moedinhas para atacar o cristianismo!

Reconheceram o estilo? É isso mesmo, de Sarah Palin! A decisão de modificar a posição da frase foi tomada na administração W. Bush.

- Eles vão criar o SUS pra executar velhos e deficientes!

Esta é uma pseudoteoria bem louca. Sarah Palin deve estar viajando permanentemente por causa de algum tipo de cogumelo alucinógeno que se forma na titica dos leões marinhos do Alasca, ou algo assim.

- Obama aniquila a soberania dos EUA ao ser diplomático com líderes estrangeiros!

Pros reaças dos EUA, se o presidente não é rude com líderes estrangeiros, os EUA acabarão sendo aniquilados e invadidos. É claro! Todos sabem que gentileza gera violência, ú ié!

- O dólar será substituído por uma moeda única mundial!

Estes caras não fazem a menor ideia de como é o mundo aqui fora.

- Saúde pública e estímulo econômico são meios para levar os EUA ao socialismo!

Avante, camarada Obama!

- Obama está fazendo lavagem cerebral nas crianças ao pedir que elas se esforcem e fiquem na escola!

Sem comentários.

- Eles vão usar o censo para nos pegar!

Para a republicana Michele Bachman, Obama quer usar os dados do censo para cercar e aprisionar a oposição. Com certeza!

- Obama é um gringo!

Não há documento e evidência que fala os reaças mais agitados se convencerem que Obama é cidadão estadunidense apto a ser presidente dos EUA. Coisa triste ser paranoico.

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Atualizado 15h52

Retrospectiva 2009

Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Agosto
Outubro
Novembro
Dezembro

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Atualizado 13h18

A opção infeliz de Scliar

Nova polêmica na teia. O escritor Moacyr Scliar disse

«Morar na rua é opção, e resulta, sobretudo, de uma vida infeliz.»

A jornalista Thais Fernandes respondeu:

«Parece que dizendo isso desconhece um dado importante, divulgado pelo Ministério das Cidades (baseado em uma pesquisa da Fundação João Pinheiro), de que o déficit habitacional no país é de 8 milhões de moradias, e que um dos problemas principais disso é a baixa renda familiar.»

Ou seja, para Scliar primeiro vem a vida amarga, depois vem a escolha pelas ruas. Para Fernandes primeiro vem a vida amarga, depois se chega às ruas por falta da escolha natural e apropriada, uma habitação, a qual simplesmente não existe para umas 8 milhões de famílias.

Isso em uma leitura caridosa de Scliar, na qual se entende baixa renda mais ausência de casa para habitar como "vida infeliz". Mas é claro que é sem cabimento tratar a ausência de escolha, pela pura e simples inexistência de uma casa para morar, como opção. Trata-se de um caso claro de falta de opção. Fernandes dá um exemplo eloquente, a moradora de rua Dona Maria:

«Ela dorme na rua há alguns meses, pois o casebre onde morava, na periferia de Viamão, foi destruído pela chuva. Construído em área irregular, a prefeitura da cidade não deixou que ela o reerguesse. Solução: Dona Maria “escolheu” morar na rua. Será que classifico isso como infelicidade?»

Eis um caso claro de falta de opção, e não é absurdo supor que cada caso tem uma história muito particular que não é retratada pela expressão vaga "vida infeliz". Ou seja, o "sobretudo" usado por Scliar tá mal. 

De alguém como Dona Maria, quem está morando na rua porque o poder público a tirou de uma área irregular graças (!) a uma tragédia que destruiu sua frágil residência, eu não diria que ela tem uma "vida infeliz". Isso seria insultá-la. Eu diria que ela está sofrendo a privação de um direito ou garantia básica, o teto sobre a cabeça. É um caso claro de privação de prerrogativas humanas e legais, não de "vida infeliz". 

Arte a partir de uma imagem do Jornal Co:::unicação

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2009-12-28

Enquanto isso, na redação de um jornal de Porto Alegre.....

A PALPITRIX: "Puxa, a avaliação da Yeda tá pior do que a avaliação do Arruda."

O ESTAGIÁRIO: "Por quê? Ela foi filmada com dinheiro na calcinha?"

A PALPITRIX: "Não, imbecil! Mas, aí que tá... o que será que explica isso?..."

O ESTAGIÁRIO: "Não será porque o governo dela é mediocre e escândalos gordos e visíveis não são investigados?"

A PALPITRIX: "Não seja burro, seu animal! É óbvio que não!"

O ESTAGIÁRIO: "Mas ela queria tirar proventos de funcionários que ganham pouco em pleno Natal....."

A PALPITRIX: "Silêncio! Eu estou pensando!!"

O ESTAGIÁRIO: "..."

A PALPITRIX: "Já sei, precisamos abordar esse problema de maneira científica!"

O ESTAGIÁRIO: "Vamos fazer trabalho investigativo? Uau, eu aprendi isso na faculdade! Eu sempre quis ir atrás dos fatos, ao invés de buscar fatos ou boatos que encaixam nas convicções do chefe...."

A PALPITRIX: "Cala boca! Não é nada disso, nós vamos fazer hipóteses."

O ESTAGIÁRIO: "Ãh?! Mas jornalismo não se apoia em fatos?"

A PALPITRIX: "Cala boca, cala boca, cala booocaaaa! Seu ignorante, você não viu que O Çabio faz jornalismo a partir de hipóteses?"

O ESTAGIÁRIO: "Você tá falando do Ali Kamel? Mas ele só foi escolhido Çábio por funcionários de uma empresa onde ele é chefe...."

A PALPITRIX: "Ah, como você é irrelevante! Temos que encontrar a hipótese que explica porque Yeda tem a pior avaliação da história das pesquisas de opinião."

Ah, cansei de escrever! Mas o resto da história poderia ser escrita a partir do Agente 65. Qualquer semelhança com fatos, pessoas ou situações é mera coincidência, ú ié. 

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Tributo musical a Chomsky

No dia 22 de janeiro será realizado um concerto em homenagem ao cientista Noam Chomsky no auditório Kresge do MIT. A música foi composta por Edwar Manukyan. Eis uma amostra. As solistas serão Sarita Uranovsky (violino), Molly Walker (clarineta) e Lyndi Williams (soprano).

O concerto faz parte de uma série em homenagem a cientistas.

Eis uma amostra:




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